Brasileiros que lidaram com João Paulo II exaltam simplicidade do Papa

4 de maio de 2011 às 06:05 | Publicado em Notícias do neocatecumenato, Uncategorized | Deixe um comentário
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Advogado de São Paulo encontrou João Paulo II duas vezes em 22 anos. ‘Ele veio como se fosse nosso amigo’, diz monge que integrou comitiva.

Mirella Nascimento Do G1, em São Paulo

Com um intervalo de 22 anos, o advogado Daniel Militão esteve cara a cara com o papa João Paulo II duas vezes, no Brasil e no Canadá. Sem ter planejado nenhum dos encontros, ocorridos em 1980 e 2002, ele se considera sortudo e diz que o homem que será beatificado neste domingo (1º) foi “um grande exemplo” para o mundo.

Advogado e professor universitário, Daniel Militão ficou cara a cara com João Paulo II duas vezes em 22 anos (Foto: Arquivo pessoal)

“Ele despertava admiração de todos, até de quem não é católico. A forma como ele viu a missão do papado, viajando pelo mundo todo, e sua dedicação até o final da vida eram impressionantes. Ele mostrou um lado humano da figura do Papa”, diz.

Militão tinha três anos quando encontrou João Paulo II pela primeira vez. Filho de dois integrantes da Pastoral Universitária, ele era a única criança no encontro do pontífice com jovens católicos na capela do Colégio Santo Américo, em São Paulo, em julho de 1980.

“Eu, pessoalmente, não me lembro de quase nada. Era criança e não estava entendendo muita coisa. Me pediram para levar flores para ele, mas fiquei meio emburrado. Ele veio atrás de mim e me pegou no colo. Foi extremamente simpático. Isso marcou, todo mundo fala até hoje”, conta .

Os pais de Daniel recordam o encontro com mais detalhes. “Ele [João Paulo II] foi muito espontâneo. Ficou olhando para o Daniel e acabou pegando-o no colo, dando um beijo. Era uma pessoa muito afável, simples e humana. Um homem de Deus mesmo”, diz a mãe, a psicóloga Maria Tereza Pereira Militão da Silva, de 57 anos.

Daniel Militão era criança quando encontrou o papa João Paulo II pela primeira vez, em um evento no Colégio Santo Américo, em São Paulo, em 1980 (Foto: Arquivo pessoal)

O pai, o pedagogo Jair Militão da Silva, de 61 anos, destaca ainda outros momentos do encontro no colégio que mostraram a irreverência e simpatia do papa. “Ele ia nos receber na capela e tinha toda a proteção do cerimonial. Mas em vez de andar dentro do cordão, ele deu um pulinho por cima, para cortar o caminho. Era bem atlético”.

Em um dos momentos da cerimônia, lembra Jair, os jovens cantaram uma música em polonês para João Paulo II, nascido na Polônia com o nome de Karol  Wojtyla.

Ao ver que Daniel estava relutante em entregar as flores, João Paulo II pegou o menino no colo (Foto: Arquivo pessoal)

“Ele disse que estávamos cantando errado. Que a pronúncia não estava certa e que daquele jeito parecia que estávamos mandando ele ir embora”, relata. A família é católica e integra o grupo Caminho Neocatecumenal, com grande participação na Igreja.

O segundo encontro de Militão com o papa João Paulo II aconteceu durante a Jornada Mundial da Juventude, em Toronto, em 2002. A semana de eventos foi encerrada com uma cerimônia com a presença do Papa. De última hora, Militão foi escolhido para representar o Brasil na celebração. “Eles chamavam pessoas de diferentes países porque tinham textos para serem lidos em várias línguas. Achei que só ia ler algo em português. Mas, no fim, 12 pessoas receberam uma pedra de sal, que simbolizava o tema do evento, das mãos do Papa”, relembra.

Mesmo que mais breve, o encontro ficou gravado nitidamente na memória do jovem católico. “Eu nunca parei muito para pensar nisso, mas acho interessante ter visto ele de perto duas vezes. Nunca olhei como uma coisa mística, vejo como uma sorte”, diz.

Apesar das coincidências, Jair acredita que, de alguma forma, os encontros mexem com a vida do filho. “É um mistério entender todo o significado disso, mas certamente mexe. O João Paulo II foi muito importante para os jovens. Também foi professor universitário. Nós [os pais] fomos e ele [Daniel] também é”.

Monge participou de comitiva
Na mesma visita em 1980, dom Ernesto Linka era um dos monges mais jovens do Mosteiro São Geraldo, em São Paulo, e participou da comitiva que recepcionou João Paulo II no Colégio Santo Américo.

Ao longo da visita, ele esteve pessoalmente com João Paulo II em alguns momentos. Mais de 30 anos depois, o que ele mais lembra é da humildade e a perseverança do homem que, mesmo doente, dedicou sua vida ao papado até o fim.

Dom Ernesto cumprimenta o papa João Paulo II durante visita a São Paulo em 1980 (Foto: Arquivo /Mosteiro São Geraldo de São Paulo)

“Com toda a naturalidade, ele veio aí como se fosse nosso amigo há anos. Conseguia se comunicar com todos da mesma forma, era um homem muito simples. Nas refeições que fez na escola, não quis comida especial, pediu o que se fazia ali sempre”, recorda o húngaro de 85 anos, abade emérito do mosteiro.

A visita ao Brasil em 1980 também foi a primeira vez em que dom Ernesto viu pessoalmente João Paulo II. Depois daquela, houve outros momentos no Vaticano, na Hungria e na República Dominicana. Para ele, o principal legado de João Paulo é mesmo a simplicidade. “Com esses grandes homens que são simples, a gente aprende muita coisa. Achamos que ser simples é fácil, mas não é. Também foi marcante como ele aguentou a saúde tão ruim no fim da vida. Ele poderia ter renunciado, mas carregou o peso da cruz até o final”, avalia.

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