“Levava sobre si a cruz de Jesus Cristo”

3 de maio de 2011 às 07:44 | Publicado em Conhecendo o Neocateucumenato, Entrevista | Deixe um comentário
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Com sua aposta pela nova evangelização, João Paulo II confirmou ao Caminho Neocatecumenal como um dom do Espírito Santo tendo a raiz do Concilio Vaticano II. Seu iniciador, Kiko Argüello, foi testemunha direta de sua santidade.

2 Maio 11 – Madri – Álvaro de Juana, LA RAZON

O Que viu João Paulo II no Caminho Neocatecumenal?
O Papa, sendo bispo de Roma, visitou as paróquias e sempre quis reunir-se a parte com as comunidades neocatecumenais. Em suas visitas perguntava: «Quantos estavam antes afastados da Igreja?». E se levantava a maioria. No entanto, as comunidades tinham muitíssimas crianças e o Papa se mostrava contentíssimo ao ver-los. Isto o legou profundamente e viu que o Caminho tinha uma força enorme para chamar os afastados da fé e salvar a família.

Que diz antes a idéia de enviar famílias em missão?
Havíamos visto as dificuldades que tinham os itinerantes do Caminho ao evangelizar sobretudo na Escandinava, Noruega o Finlândia. E nos demos conta da necesidade de enviar famílias que deram testemunhos. Se tratava de colocar em marcha uma «Plantatio Eclessiae», porque o problema do norte de Europa era a destruição da família. Falamos também da América do Sul e de como iniciar esta experiência ali, dado que muitos bispos nos pediam para contra-atacar a invasão das seitas. O Papa se mostrou entusiasmado e ele mesmo enviou as primeiras cem famílias de Porto San Giorgio.

Algo parecido ocorreu com os seminários «Redemptoris Mater»…
A idéia surgiu ao ver a necessidade de presbíteros que acompanhassem a estas famílias e às comunidades que iam se formando. O dia da Virgem de Czestochowa o Papa nos convidou para jantar e o apresentamos a posibilidade de abrir um seminário para suscitar sacerdotes. O Caminho não é uma congregação religiosa, e não queríamos fazer uma ordem de sacerdotes. O propomos formar presbíteros diocesanos para a missão, que partissem para a nova evangelização. Ele se mostrou entusiasmado e dando um golpe sobre a mesa diz: «Isto há que fazê-lo».

Que papel há tido o Caminho  nas Jornadas Mundiais da Juventude?
Uma das coisas que o Papa fez para nos ajudar foi nomear Monseñor Cordes  de se encarregar do Caminho, então presidente do Pontifício Conselho para os Leigos e responsável da primeira Jornada, que nos chamou para que convidássemos aos jovens. Temos ajudado em todos os sentidos e o Papa nos felicitou em varias ocasiões. Como preparação a cada Jornada Mundial da Juventude, sempre os enviamos pelas cidades para que anuciem Cristo. Este mês teremos um encontro em Düsseldorf e evangelizaremos por todas as cidades de Alemanha, convidando os demais a irem à Madri.

Qual era a opinião de João Paulo II ao comprovar que surgiam tantas vocações  no Caminho?

Ao Papa o temos informado sempre do número de jovens que se levantava nos encontros vocacionais e o deixava contentíssimo. São mais de 4.000 garotas que ingressaram em monastérios de clausura e mil de rapazes nos seminários. Os rapazes sempre têm se destacado pela importância em sua chamada e do que há dito o Papa nestes encontros.

No ano 2000, o Papa se encontrou com mil jovens do Caminho em Terra Santa.
Teve um encontro com 100.000 jovens no Monte das Bem-aventuranças. Mais da metade eram do Caminho. Antes, inaugurou a Domus Galilaeae. Nos deixou surpreendidos quando, entrando nela e comovido de sua beleza e nova estética, nos disse: «O Senhor estava os esperando aqui, nesta montanha». Pomos esta palavras bem grande na entrada da Domus. Além disso, uma das últimas coisas que fez antes de morrer foi mandar uma carta em razão da inauguração da biblioteca. O Papa pediu que esta casa fosse um lugar de encontro entre a Igreja católica e a população hebraica, algo que se está cumprindo. Quando os hebreus vão vê-la ficam surpreendidos. O ano passado a visitaram cerca de 150.000 e este ano continuam vindo todos os dias. Dizem que querem ver sua beleza e que os seminaristas os expliquem seus significados.

Como se lembra do Pontífice em seus últimos dias de vida?
O recordo como um santo. Como um homem que levava sobre si a cruz de Jesus Cristo e que se dava conta do bem que estava fazendo ao mundo. Hoje os anciãos não são pessoas, os coloca num asilo e ali os abandona. Para que uma pessoa seja considerada santa tem que ser demonstrada a virtude em grau heróico, e isto se viu durante sua enfermidade e velhice.

Conta-nos alguma situação engraçada que recorde de suas vivências com o novo beato.
O Papa era entusiasta de Carmen Hernández, iniciadora junto a mim do Camino, à que admirava muito. Antes de morrer, tivemos a Audiência Plenária do Pontifício Conselho para os Leigos e ao final uma audiência com ele. O Papa estava já muito mal e havia lido o discurso com muita dificuldade. Ao fim passamos um a um a saudá-lo. Tinha os olhos cerrados e iam dizendo quem era cada um. Quando chegou minha vez, o Cardeal Rylko o disse ao ouvido: «É Kiko!». Então se despertou, abriu os olhos e perguntou: «Onde está Carmen?, e Carmen?, onde está?». O disse gritando e todo mundo começou a rir. O Papa não o gostava me ver sozinho, sem Carmen.

Como tem vivido sua beatificação?
Dando graças a Deus.

Voltando à Igreja primitiva
O Caminho o iniciaram Kiko Argüello e Carmen Hernández nas favelas de Palomeras Altas (Madrid), em 1964. Foi reconhecido por João Paulo II como «um itinerário de formação católica válido para a sociedade de hoje». Em 1985, ao falar sobre a secularização, o Papa disse: «Há que voltar ao primeiro modelo apostólico». Argüello detém que «a Igreja primitiva, ao deixar a sinagoga, se reunia nas casas e os pagãos impressionados gritavam: «Olha como se amam!». Este grito tem que voltar a ouvir se no mundo ao ver o amor entre os cristãos». Por isso, o Caminho tem começado a «missio ad gentes» em vários países: famílias que são enviadas a regiões pagãs com pessoas sem batizar.

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